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Escola indígena recebe livros

Atualizado: 12 de Ago de 2019

Coleção composta por 200 títulos foi entregue pelo BRDE, por meio do projeto Pró-biblioteca.

Christian Bueller

Pés descalços, olhos levementes puxados, cabelos lisos. Quinze crianças indígenas cantam para receber uma visita que não costuma aparecer. O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul entregou, ontem, uma coleção composta por 200 títulos de referências infantojuvenis e de literatura em geral, nacional e estrangeira, para Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Nhamandu Nhemopu’ã, no Parque Estadual de Itapuã, em Viamão. São 60 alunos beneficiados com a iniciativa promovida pelo BRDE por meio do projeto Pró-biblioteca, da Editora L&PM, que é chancelado pela Lei Rouanet de incentivo à cultura, para equipar atualizar as bibliotecas de instituições de ensino públicas com a finalidade de colaboração na formação de jovens brasileiros.

A biblioteca da escola indígena, cujo nome significa sol nascente em português, é a primeira de oito a receber exemplares com incentivo fiscal do BRDE. “Integra uma das áreas de responsabilidade socioambiental do banco. É nessa hora que tudo vale a pena”, afirma o vice-presidente e diretor Financeiro e de Planejamento, Luiz Corrêa Noronha. Pelo projeto somente neste ano, foram 68 bibliotecas contempladas e outras 230 receberão. A ação também como missão incentivar a literatura entre a população que utiliza os acervos das bibliotecas comunitárias do país. “O que mais me encanta é a possibilidade de plantar sementes para novos conhecimentos”, revela Adriane Laste, responsável pelo projeto. Entre os exemplares, clássicos de Julio Verne, William Shakespeare, Antoine de Saint-Exupéry, Érico Veríssimo e José de Alencar.

Inaugurada em 2003 e situada na comunidade Mbya da aldeia Pindô Mirim, a Nhamandu Nhemopu’ã tem aulas em tupi-guarani e Português, com os costumes indígenas respeitados. “ A escola se propõe a fazer a mediação entre esses dois mundos, sem sobreposições. O povo quer conhecer a sociedade e os conteúdos da escola formal, e os livros são grandes aliados nesse processo”, destaca a diretora Alessandra Santos. O cacique Arnindo Verá agradeceu pela doação e contou que a música apresentada pelos índios é um conselho para as próximas gerações: “Para falar baixo, com calma, não buscar conflitos, pelo contrário, procurar sempre o respeito e o bem-estar”. A entrega contou ainda com a presença do secretário de Educação, Faisal Karam, que prometeu falar com representantes da escola sobre melhorias, e da coordenadora do Sistema Estadual de

bibliotecas Escolares, Maria do Carmo Mizetti.


Matéria: Correio do povo 09/08/2019



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